terça-feira, 13 de março de 2012

A SUA PALAVRA CORRE VELOZMENTE



A Palavra de Deus é potente e dinâmica. Ele o disse e assim foi. Ele falou e os mundos foram formados. O que não era veio à existência. Quando o Senhor proferiu as palavras da sua aliança a Israel, o Monte Sinai estremeceu violentamente e os corações dos homens se derreteram dentro deles. Seu sussurro ecoou qual trovão através do universo. Quando repreendeu nações, a terra estremeceu. Quando uniu sua voz à dos que bradavam, os muros de Jericó ruíram. Não era só o que se dizia, mas quem o dizia. Há uma inevitabilidade inerente na Palavra de Deus e não podia ser de outra forma. Precisamos enfrentar a sua realidade. Quando Israel viajava rumo à sua herança, foi-lhes dito que maldições viriam sobre eles e os alcançariam (Dt.18:2,15,45). A idéia é que a palavra proferida para o povo de Deus os perseguiria até alcançá-los e dominá-los com o seu conteúdo.
A oração de Paulo era a de que a Palavra de Deus se propagasse e fosse glorificada (2Ts.3:1). Isaías registra a avaliação que o próprio Deus faz da sua palavra: "Assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei” (Is.55:11). Deus tem falado, está falando, e há de falar outra vez. Sua palavra é inexorável e corre velozmente para alcançar seus objetivos (Sl.147:15; 19:4). Quão grandiosa é, e ao mesmo tempo, quão temível! Habacuque relata uma visão que recebeu e a ordem que lhe foi dada a respeito dela: “Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para  cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não falhará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Hc.2:2-3). Estes versículos parecem sugerir que Deus retém algumas palavras, semelhante a um corredor que se restringe na última volta, esperando para liberar toda sua energia e recursos no trecho final. “Estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim” (Dn.12:9). Seu potencial total ainda não foi liberado. Os significados mais profundos não foram revelados. A vontade final de Deus ainda não foi cumprida.
Estamos nos aproximando da época em que todas as palavras de Deus proferidas à humanidade através da história convergirão num rio poderoso. A sua voz tem o som de muitas águas. Abala o que é inabalável. Remove tudo na sua frente. É a Palavra de Deus encontrando sua expressão final. Toda a promessa encontrando seu Sim e o seu Amém final, em Cristo. Glória!
O capítulo 10 de Apocalipse nos leva ao estágio em que o tempo de espera se acabou. Não haverá mais demora. A sétima trombeta soará. O mistério de Deus é consumado. Tudo o que ele anunciou aos seus servos os profetas é cumprido. À luz disso, apropriemo-nos do seguinte desafio lançado para João: “Importa que profetizes outra vez”. Tome essa palavra outra vez - libere-a - deixe-a correr velozmente. Tudo o que você ingeriu da minha palavra e da minha visão você terá que profetizar. Você tem que levar essa palavra irresistível, deixando-a correr velozmente para apressar os meus propósitos e proclamá-la à sua geração. A conclusão será inevitável.
Graham Perrins

sábado, 10 de março de 2012

OS CRISTÃOS SERÃO ARREBATADOS OU PASSARÃO PELA TRIBULAÇÃO?



A doutrina do arrebatamento secreto, sete anos antes de Jesus voltar, é relativamente nova, tem aproximadamente um século de existência, mas tem sido amplamente divulgado no meio evangélico. Esse ensino é um falso escape da tribulação e não tem nenhum fundamento na revelação das escrituras. Essa falsa doutrina é um espírito de engano desviando atenção do povo de Deus e trará graves conseqüências à, quem não abandonar este ensino enquanto há tempo e se preparar para os dias mais terríveis que o povo de Deus há de enfrentar.
Não existe arrebatamento separado da segunda vinda de Cristo. No exato momento da vinda do Senhor os cristãos que estiverem preparados serão transformados (1 Co.15:52). Isto é o arrebatamento mencionado nas escrituras. Nesse momento haverá transformação corpórea dos que estiverem preparados para reinar com Cristo e haverá a primeira ressurreição, incluindo os crentes de todas as épocas que morreram qualificados para participar do reino de Cristo na terra (1 Co.15:53-54).
Os sete anos, que muitos citam como o tempo da grande tribulação, são na verdade, há “semana” da aliança, a septuagésima semana de anos da profecia de Daniel 9:27. Metade dessa última semana de anos, já se cumpriu - foram os três anos e meio do ministério de Jesus, estabelecendo a nova aliança com Israel. A outra metade, serão os três anos e meio do ministério profético da “duas” testemunhas (Ap.11). Esse ministério encerrará o tempo dos gentios e recomeçará o tempo de Israel, interrompido já ha dois mil anos. Israel e a igreja serão reconciliados em um mesmo corpo.
Os crentes que estão esperando o arrebatamento secreto antes da tribulação, vão ter uma angustiante surpresa, quando se virem mergulhados dentro da grande tribulação e constataram que desperdiçaram o tempo da preparação para resplandecerem no meio das densas trevas que já se aproximam (Is.60:1-3).
O espírito do anti-cristo vai se apossar dos sistemas políticos deste mundo, de tal maneira, que nenhuma igreja estruturada terá permissão de funcionar em conformidade com os propósitos de Deus. Todas terão que cooperar com os objetivos de Satanás disfarçados atrás da política e autoridades deste mundo. A  maioria dos lideres eclesiásticos serão seduzidos pelo espírito do engano ou levados pelo interesse próprio e assim continuarão com suas igrejas institucionais em cooperação com sistema do mundo. Alguns irão resistir ao sistema do anti-cristo e sofrerão cassação de registros e direitos legais de exercício do ministério, e etc. Agora é o tempo da preparação para vivermos fora do sistema e abandonar a apostasia, e fugir de qualquer estrutura institucional de igreja. É necessário abandonar tudo isto e exercitar plena confiança no Deus vivo, agora.
Deus vai levantar as nações como instrumentos de seu juizo para cortar a igreja atual casada com o sistema deste mundo e vai enxertar a Israel no topo e das raizes escondidas (remanescente) fará brotar a consumação do seu eterno propósito. Paulo, em romanos 11:22 já alertava a igreja para a possibilidade que assim como Israel ela poderia vir a ser cortada. E, sendo cortada, enfrentaria o tempo de indescretíveis sofrimentos, assim como Israel enfrentou nesses dois mil anos. Quando João escreveu o Apocalipse, a igreja já havia entrado em apostasia, assim ele descreve o que ela iria enfrentar nos seus derradeiros dias em meio ao domínio da besta (Ap.13:7,10). Há uma guerra espiritual, que pertence tanto ao mundo invisível quanto ao mundo visível. Deus tem o direito de colocar o seu povo, na posição que lhe parece bem na batalha. Na maioria das vezes Deus derrota Satanás nessa guerra colocando o seu povo na condição de vencedor e outras vezes permite Sanatas vencer colocando o seu povo na condição de perdedor, “como ovelhas para o matadouro” (Rm.8:35-39). Esse é o dilema de Jó e dos cristãos durante os três primeiros séculos da igreja, será também na eminente batalha final.
A reconciliação de Israel e a igreja é um grande mistério que Deus irá manifestar nesta ultima reforma (Ef.2; Rm.11). Porém, isto não acontecerá do modo que a igreja católica e evangélica esperam. Deus não vai reconciliar Israel com a igreja institucional. Não será através da política nem do ecumenismo Deus vai cortar a igreja institucional e enxertar Israel, e assim haverá reconciliação de Israel com as raízes escondidas. Ou seja, com a igreja separada dos sistemas e estruturas, será a mulher no deserto (Ap.12:6; Rm.11:17-25).
Durante os séculos, a teologia da substituição dominou as igrejas, católicas e protestantes, que foi a base para a igreja excluir e até para perseguir e matar os judeus. Entretanto, agora, quase todas as igrejas, católica e evangélica começaram a falar em reconciliação com Israel e cresce uma grande expectativa ecumênica para o século XXI. Porém, Deus não vai unir Israel com a igreja institucional, por meio do ecumenismo. Antes, Deus enviará seus mensageiros (apóstolos) para que o “joio seja atado em seus feixes”, e a igreja institucional seja separada da igreja verdadeira. Agora mesmo, há uma janela aberta, para que os crentes verdadeiros, que estão dentro da igreja falsa - da meretriz e das suas filhas - possam se encontra, em preparação, para a grande purificação dos filhos de Deus, e sua separação de todo o sistema e organização eclesiástica.
Nesse tempo de ardente prova que está vindo sobre o mundo inteiro os vencedores não serão vistos como “igreja visível”, mas como a mulher no deserto - fora de todo o sistema e estrutura humana (Ap.12). Agora mesmo é o tempo de preparação para vivermos “fora da vista da serpente”.
A igreja gloriosa não será reconhecida como igreja, pois não terá organizações nem estruturas. Os filhos de Deus não serão vistos como evangélicos, não serão membros de igrejas institucionais e até serão vistos como desertores, desviados e anarquistas. Mas uma marca ele têm que homens e organizações não podem produzir: O caráter de Cristo, nada menos que isto.
Nesta igreja vencedora só haverá um tipo de culto - o único culto existente na nova aliança - que é a entrega dos nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm.12:1-2).
O corpo de Cristo, a verdadeira igreja, só será visível aqueles a quem foi concedido a visão profética, porque este não terá uma estrutura material. Será um corpo espiritual, organismo vivo, funcional, operante, organismo divino e não organização humana. No corpo não haverá interesses humanos como há hoje de títulos, posições, hierarquias, classes, centralização de poder e etc. Só Cristo será a “cabeça”, todos os demais serão membros e funcionarão sobre seu comando. Será uma igreja invisivel e intangível como organização e estrutura, porém visível e palpável como expressão da vida de Deus e do caráter de Cristo.
Assim como Deus abandonou o judaísmo que um dia foi seu porta-voz, e as instituições históricas do cristianismo. Ele está hoje abandonando as igrejas evangélicas e está suscitando novas expressões de vida e de fé genuinamente cristãs, mas que não tenham nome de denominação nem o perfil daquilo que hoje chamamos de evangélico. Isto é a reforma. É muito mais radical e mais revolucionário do que pensávamos. Assim como no século 16, à partir da reforma aqueles servos de Deus não foram mais vistos como católicos que era a única expressão de vida cristã daquela época, também hoje, ao irromper a nova reforma os servos de Deus não serão mais vistos como evangélicos.
Isaías 43:18-21 fala desta obra nova que Deus está fazendo, e como sempre fez em crises como esta. No verso 26 Deus nos convida a orar por esta “nova reforma”, trazendo-lhe à lembrança esta promessa. Estes dias são mais críticos do que conseguimos imaginar. Um poderoso misterioso transtorno no mundo espiritual está às portas. Oremos para que os interesses de Cristo sejam alcançados em meio ao “caos” iminente e para que sejamos parte do eterno propósito de Deus em Cristo.

O RADICALISMO DO PROFETA



Um profeta é inevitavelmente uma figura que ameaça a situação atual. O institucionalismo pode produzir seus profetas, mas estes serão homens de sua própria espécie, falando somente o que o sistema quer ouvir e dando uma aparência divina ao que é essencialmente estéril ou perverso. Em contraste, homens enviados por Deus permanecerão fora deste contexto e suas palavras não apoiarão, mas desafiarão os conceitos formados e os rituais estabelecidos.
Jeremias entrou em controvérsia com os profetas institucionalizados que falavam ao povo o que este queria ouvir: que não seriam conquistados pela Babilônia. Estes homens sustentavam a ordem existente e apoiavam o que Deus havia rejeitado. Viam somente o reino material e profetizavam em correspondência a homens, não a Deus. Preocupados com o reconhecimento e sua posição, prostituíam o seu potencial de autoridade em favor de benefícios próprios. Enquanto isso, Jeremias declarava a palavra de julgamento de Deus, à custa de sacrifício pessoal.
O propósito da profecia não é agradar os ouvidos dos homens. Ela é a auto-expressão de Deus: declara sua vontade e desejos; dá sua avaliação da situação. Ao fazer isto, a profecia é diametralmente contrária a expressão da vontade e desejos do homem, pois estes entram em choque com a vontade e desejos de Deus. Portanto, muitas vezes o profeta de Deus terá que denunciar os profetas dos homens. Miquéiais fez isso, ao declarar que os falsos profetas faziam errar o povo de Deus, não tinham nada dele e estavam na verdade em guerra contra o Senhor (Mq.3:5-12)!
DEPENDÊNCIA DE DEUS
O próprio profeta encarna o princípio de que o homem está designado para viver e funcionar na dependência de Deus. Desta forma, sua vida e suas palavras irão contra qualquer tipo ou forma de independência, quer seja por desejo e ambição; por pensamentos e conceitos; de propósito e alvo. Devem dar lugar ao reconhecimento da supremacia e da glória de Deus, submetendo-se a Ele de todo o coração e vontade. Somente desta maneira o homem pode achar segurança e realização.
Há, portanto, muita coisa para a qual o profeta é enviado a destruir. Arrancar e derrubar, destruir e demolir, precedem o construir e o planejar (Jr.1:10). O coração do profeta é criativo, não destrutivo, pois reflete o coração do seu Deus. Mas o mal deve ser destruído para que o bem possa florescer; e o chão deve ser limpo dos entulhos para que um novo edifício possa crescer no lugar, com firmeza.
Séculos de conceitos e idéias falsas têm paralisado a Cristandade ao ponto de total inatividade ou a têm desviado para atividades erradas. Séculos de estruturas religiosas humanas têm levado o espírito do homem a tal servidão, que ele está dentro de uma masmorra de formas e rituais sem nenhum conhecimento verdadeiro do Deus vivo. O profeta permanece em oposição frontal a toda essa escravidão e declara liberdade aos homens.
Facilmente aqueles que querem servir a Deus aceitam conceitos e idéias tradicionais! Quão facilmente o inimigo tem conseguido semear conceitos falsos no solo fértil desta receptividade! Seja onde for que o homem confie em alguma outra coisa além de Deus, para sua segurança, há perigo. Quando ele confia num credo ou sistema tradicional ao invés de confiar naquilo que Deus está falando às igrejas, ele está exposto ao engano. Também não é seguro abraçar o evangelicalismo como a ala da igreja que se recusou a ser escravizada pela tradição; embora tenha rejeitado as formas exteriores e os rituais religiosos do catolicismo, substituiu-os por um sistema de ortodoxia e prática religiosa igualmente escravizadores. São aquelas mesmas idéias gnósticas que começaram a envenenar a corrente sangüínea da igreja nos seus primeiros dias e que estão encontrando uma pronta aceitação no meio evangélico hoje.
DESTRUINDO FALSOS CONCEITOS
O profeta se oporá a todas essas idéias falsas, pois seu desejo é uma igreja sã e unida, livre de interesses sectaristas. Ele atacará a consciência pecaminosa e impotente daquilo que hoje leva o nome de Cristandade, tão vigorosamente quanto seus colegas no passado atacavam as religiões falsas que contaminavam a vida espiritual de Israel. A mentira escraviza ao passo que a verdade liberta. Ouvindo a verdade, o povo de Deus é despertado para ver a prisão em que se encontra, ao mesmo tempo em que vê a porta de escape que permanece aberta. Os profetas de hoje, como nos dias de Moisés, conduzem o povo para fora desta escravidão, destruindo todos os obstáculos em nome do Senhor e trazendo julgamento àquilo que tem escravizado o povo de Deus.
A tendência do ser humano é organizar e solidificar tudo o que ele toca. Sua insegurança exige que ele tente estabelecer firmes pontos de referência para si mesmo. Por isso ele constrói instituições que outrora eram uma expressão flexível de vida. O Deus que declara que “é o que é” recusa-se a ser preso ou limitado. Uma igreja que está designada a encarnar e expressar Deus não pode ficar presa a uma forma ou padrão fixos.
De fato, se Deus “é o que é” devemos dizer da igreja que ela também “é o que é”. Por perceber que o propósito e atividade de Deus são de suprema importância, o profeta se oporá ao institucionalismo estático que o homem erigiu para substituir a dependência viva em Deus e trabalhará pela visão do corpo.
A experiência do profeta é de um caminhar contínuo com Deus, uma experiência viva com ele. Sua vida e palavras convidam e inspiram o povo de Deus a uma experiência semelhante. Não lhes é permitido continuar na estrutura confortável e segura do formalismo, previsível em todo o seu curso. Antes, devem ser chamados para sair desta segurança aparente a fim de seguir o Deus que está falando, muitas vezes sem saber para onde vão. Foi tal obediência de fé que justificou Abraão. É tal fé que ainda agradará a Deus hoje. O propósito da igreja é ser auto-expressão de Deus e ela deve mover-se para onde quer que ele a dirija, seguindo-o para onde quer que ele vá. O profeta vive desta maneira e comunica isto à igreja.
Assim como ele ataca e destrói idéias erradas acerca do relacionamento com  Deus, da justiça, da natureza e do propósito da igreja, o profeta buscará da mesma forma minar e substituir concepções errôneas de profecia e escatologia. Por não ter uma experiência viva com a voz de Deus, a igreja se tornou a base reprodutora de uma superabundância de idéias humanas e demoníacas. Muitas dessas idéias efetivamente minam o propósito de Deus e relegam seu procedimento com o homem à categoria de uma seqüência rígida de acontecimentos futuros.
Porém, Deus é vivo e real! Está ativo e responsivo aos acontecimentos! Ele não é uma máquina e nem um computador programado de um curso preestabelecido e fixo. Portanto, ao destruir falsas idéias escatológicas, o profeta libertará o povo de Deus de vários becos sem saída, ao mesmo tempo em que o levará ao indispensável conhecimento do Deus vivo e à experiência viva com ele.
Temos falado muito do efeito destrutivo do ministério do profeta sobre tudo o que assume o lugar de Deus ou se lhe opõe. Temos também procurado expressar porque ele tem este papel, além de alguns dos resultados positivos que ele espera, ao assentar um bom fundamento e construir sobre o mesmo num local bem preparado, mas devemos também ter cautela contra a aspereza humana no papel destrutivo do profeta. Alguns têm usado o disfarce de profeta para justificar as expressões de amargura e ressentimento humanos, de vingança e provocação.
EXPRESSANDO A VONTADE DE DEUS
Não importa neste caso se o que eles atacam é realmente contrário ao coração e  vontade de  Deus. Nunca é demais enfatizar o fato essencial de que o profeta é um meio para expressar a Palavra de Deus, e  somente ela. Jesus exemplificou a voz destrutiva de Deus um muitas ocasiões, mas nunca com algum motivo de interesse humano. Sempre falava a Palavra de Deus, e somente ela, e muitas vezes expressava-se com tristeza por causa daqueles de quem ele falava.
Neste assunto todo, um princípio que o autor deste estudo aprendeu de Deus há uns treze anos, e que desde então tem procurado praticar, é corresponder ao Espírito de Deus ao atacar e minar idéias e conceitos falsos que mantém a igreja em escravidão, mas normalmente abster-se de atacar as pessoas que propõem tais idéias. Estas permanecem ou caem diante de seus próprios ensinos.
Tem-se falado que Moisés entendeu os caminhos de Deus, enquanto que Israel como um todo somente viu os atos de Deus. É parte principal da consciência profética apreciar não somente o que Deus está fazendo, mas entender porque ele está fazendo aquilo, e ter um senso de estratégia.
O profeta sempre dirigirá a atenção para a raiz do problema, removendo os entulhos e esforçando-se para estabelecer uma raiz através da qual possa desenvolver-se aquilo que Deus tenciona realizar. Nisto ele é realmente radical, pois um radical é aquele que vai à raiz do problema para atingi-lo. Inevitavelmente neste ponto ele entra em conflito com as instituições religiosas que por séculos têm acumulado tradições e perdido de vista as raízes das quais a Cristandade surgiu.
Mas não é somente renovando os conceitos da igreja que o profeta estará ativo. Ele também expressará a vontade de Deus para o seu povo em qualquer ponto determinado de sua história. Ele trará direção, dando a perspectiva de Deus e exortando a igreja para corresponder às circunstâncias e acontecimentos como o seu Senhor deseja. Ele explicará o significado da situação atual e delineará os passos imediatos e necessários para, a partir daí, adentrar mais na vontade de Deus e expressá-la. Esta expressão da vontade e palavra atuais de Deus será colocada no contexto de uma declaração contínua do seu propósito geral. O profeta esclarece a profecia e a escatologia ao povo de Deus pois não está interessado em sistemas e interpretações literalistas, baseados em lógica e dedução humanas. Ele vê na profecia a revelação do coração do Pai (sua vontade e desejo) e de seus princípios (a base pela qual ele ordena e age). Estas coisas o profeta vê por revelação e as expõe ao povo de Deus.
É necessário que haja um profeta para interpretar um profeta, pois nenhuma profecia bíblica pode ter interpretação particular. Assim como as profecias registradas não se originaram da vontade humana mas sim da inspiração do Espírito, através de homens específicos, assim também hoje a interpretação destas profecias depende de um dom: o ministério profético (2 Pe.1:20-21). Assim como as declarações dos profetas devem ser julgadas por outros profetas (1 Co.14:29) as palavras dos profetas devem ser interpretadas por outros profetas.
DANDO UMA VISÃO DE DEUS
Neste contexto uma nova escatologia emerge. Não um sistema, nem uma estrutura minuciosa do alvo e desígnio de Deus que atrai seu povo à consumação destes propósitos. Como escatologia bíblica, muitas vezes ela será em visão parábola, muitas vezes “codificada”, mas sempre inspirando visão e coragem. É uma escatologia viva, não acadêmica. É espiritual e não literal. É substancial por  ter a realidade de Deus, não rígida como a assim chamada ortodoxa nem restrita pelas limitações da lógica humana. É uma  visão de Deus.
Tal escatologia é imediatamente incompatível com qualquer sistema formal e estático. Inevitavelmente torna-se uma ameaça aos fornecedores de pacotes proféticos bem elaborados cuja segurança depende da predição de um curso estabelecido de acontecimentos futuros. No entanto, esta escatologia participa da essência do que é verdadeiramente profético: comunica Deus, não planos e acontecimentos. Enfatiza a realização de seu propósito, a manifestação do seu reino e dá espaço para aquele que “é o que é” desenvolvê-lo como achar melhor. Portanto, o profeta liberta os homens da dependência de auxílios e apoios exteriores e os amarra em Deus. Ao fazer isto, sua natureza essencialmente radical é mais plenamente expressada, pois nisto se acha a raiz da sua existência.
O homem se tornou independente e Deus o chama de volta à rendição e à dependência. Ele o chama através de seus profetas, equipando-os para fazer emaranhados de indiferença e engano. Ele toca seus corações e os inspira com a visão de si mesmo e de sua glória,  mostrando-lhes sua vontade e propósito.
John Maclauchlan

PROFECIA NO APOCALIPSE


PROFECIA NO APOCALIPSE

O livro de apocalipse é uma profecia (1:3). Desta forma, ele encarna e exemplifica muitos dos princípios de profecia. Se você tem mais do que um interesse teórico, ser-lhe-á proveitoso examinar e meditar diante de Deus nas passagens citadas abaixo. Somente Deus pode plantar a semente de sua palavra no seu coração de tal forma que esta se torne uma expressão de sua revelação à igreja hoje.
1.        Profecia é uma revelação, isto é, um desvendar de olhos (1:1). Isto implica que algo real, mas anteriormente escondido, se torna visível. A profecia tira um véu para que a realidade espiritual possa ser vista. Sem a palavra profética o homem está cego. Ele não consegue ver Deus nem a Sua vontade, e nem o propósito e alvo de Deus; não consegue sequer ver seu próximo passo claramente. A palavra profética é a nossa lâmpada, alumiando o caminho para levar-nos à consumação (2 Pe.1:19).
2.        Profecia encarna o imperativo de Deus. Declara o que deve acontecer (1:1). A ênfase está no “deve”. Não é uma revelação do que acontecerá como se houvesse um futuro preestabelecido para ser descoberto. A profecia não prediz mas é uma declaração do firme propósito de Deus. O caminho para a realização deste propósito é real. O imperativo de Deus encoraja a igreja em tempos difíceis, reanima o Seu povo à ação para trabalhar junto com Ele, rumo ao objetivo.
3.        A palavra de Deus é testemunha de Jesus (1:2; 19:10). Entendemos pelo contexto do capítulo primeiro que o mesmo está se referindo ao testemunho que o próprio Jesus dá. No contexto do capítulo 19 pode ser o testemunho dado por Jesus ou a respeito dele. É claro também que os termos palavra de Deus, profecia e espírito da profecia são usados alternadamente. Jesus é o autor da verdadeira profecia. Por meio dela O cabeça se expressa ao corpo. Através dela seu Espírito é difundido por toda a igreja. Toda profecia verdadeira dá testemunho de Jesus em seu senhorio e glória.
4.        A profecia deve ser ouvida e obedecida (1:3). Embora a Palavra de Deus encarne seu poder, e desta forma seja capaz de se tornar um acontecimento, por outro lado ela não é mágica. O ouvinte deve ser receptivo. Deve ouvir cuidadosamente; corresponder de todo o coração; agir obedientemente; e prosseguir fielmente. Deus determinou agir de comum acordo com seu povo. É a correspondência do povo de Deus que apressará a volta do Senhor (2 Pe.3:12).
5.        Como o testemunho de Jesus, a função principal da profecia é revelá-lo e declará-lo (1). Ele é revelado em seu esplendor; é mostrado em seu poder. Ele é visto como aquele que morreu e ressuscitou em vitória e se desvenda em seu relacionamento com a igreja. Se Jesus não é visto e obedecido como Senhor, e conhecido e vivenciado como aquele que ama e perdoa, nada mais tem sentido. A profecia traz a realidade da sua presença à igreja.
6.        As igrejas não podem crescer ou funcionar sem a palavra profética. O povo de Deus deve “constantemente ouvir o que o Espírito está dizendo às igrejas” (2,3). Somente assim evita-se o declínio. Somente por meio disto o amor e a fé são mantidos vivos e fervorosos. Ouvir diariamente o que Deus está falando e agir diariamente segundo sua direção evitam morte (Hb.3,4). É o único meio pelo qual a igreja pode crescer continuamente para se tornar tudo o que Deus almeja.
7.        Enquanto tantas coisas no mundo e na experiência cristã parecem negá-lo, a profecia revela o trono de Deus (4,5). Ele é visto e exaltado sobre todas as coisas. A Palavra de Deus dá acesso ao seu reino invisível, comunica a infalibilidade do seu governo e vitória, em sua realização final. É isso que leva o ouvinte a cair prostrado aos pés do Senhor, com o coração cheio de temor e adoração.
8.        A profecia revela forças e princípios que estão por trás dos acontecimentos na terra (6). Pela palavra de profeta o céu se abre. Da perspectiva do trono de Deus todas as coisas parecem diferentes. Os acontecimentos banais, cotidianos, e também os grandes, espetaculares e sensacionais, tomam um aspecto diferente. O imperativo da vontade de Deus é visto como algo supremo. As forças espirituais se tornam evidentes. A justiça e o juízo de Deus se tornam aparentes. O inexplicável nem sempre se torna fácil de entender. Mas há um senso do seu lugar no esquema geral das coisas. Através da Palavra de Deus a paz interior e espiritual transcende e substitui a confusão e o medo.
9.        A Palavra de Deus chama um remanescente à existência (7). Um bando, uma companhia e depois um exército são formados por aqueles que ouvem o que Deus está falando às igrejas. Deus nunca teve medo de cortes. Ele conduziu todo o Israel, na verdade toda a raça humana, para uma pessoa, o seu Filho Jesus. Por meio dele, desenvolveu todo um povo para sua glória. Vez após vez, quando corações esfriam, ele recomeça com aqueles que ouvirão e corresponderão. Deus é paciente e absolutamente firme e paciente. Ele não continua a construir quando falhas sérias aparecem. Agir assim seria um fracasso garantido. Ao invés disso, ele reduz e começa novamente.
10.     A palavra profética afeta o curso da história, interrompe os acontecimentos e altera a cronologia (7:3). Deus responde às situações reais. Ele adapta e altera os detalhes do seu propósito, embora sempre se dirija inexoravelmente para seu alvo final; trata diariamente com miríades de possibilidades, incontáveis desenvolvimentos e reações. Pela sua palavra, Ele molda as atitudes e reações do seu povo obediente; ordena os elementos, as situações do mundo e tudo o que está envolvido no cumprimento de sua vontade.
11.     A profecia declara o juízo de Deus (8,9,15). Não que o profeta vá por toda parte com uma atitude condenatória. Como seu mestre, Ele não veio para condenar, mas para dar vida. Porém, ver o trono de Deus é apreciar sua justiça. Desta forma, o juízo é declarado como governo de Deus, como sua administração e determinação e como sua consumação e conclusão de todas as coisas. A ira de Deus é uma realidade; ele julgará e destruirá todo o mal.
12.     A profecia fortalece um remanescente em fidelidade (11,12). Ajuda-o a entender seu destino e alvo. Mostra-lhe a alegria que está por vir. Encoraja-o enquanto suporta o calor do dia em favor de outros. Mostra-lhe uma grande multidão que segue atrás, usando a trilha que eles abriram. A Palavra de Deus capacita aqueles que buscam de coração os objetivos do Senhor, para vencer. Assegura-lhes sua graça, presença e aprovação. Enche suas bocas com seu testemunho e comunica-lhes a certeza da vitória e a queda inevitável do mal.
13.     Pela sua palavra, Deus revela a consumação de seus propósitos (11,12). Ele fala amorosa e suavemente àqueles que, como João, reclinam-se sobre seu peito, àqueles que se preocupam principalmente com seus anseios e sentimentos. Ele fala-lhes do tempo quando sua justiça será estabelecida por toda a terra, mas ele também fala com eles em termos pessoais: estarão com ele e toda lágrima lhes será enxugada. Comerão e beberão juntos com ele. A alegria e a comunhão que experimentam com ele agora se tornarão plenas, então.
14.     A profecia revela o curso e o desenvolvimento do mal e sua destruição (15). A igreja deve estar consciente de que a raça humana independente continuará a desenvolver seu objetivo de se unir em rebelião contra Deus. O homem ainda quer construir sua Babilônia com uma torre que alcance o céu. Ele ainda tenta evitar o  ser espalhado. Os governantes querem segurar seus domínios para si mesmos e tendem a se unir contra o Senhor e  seu Cristo. Deus torna claro que permitirá que o homem realize muito do que deseja, mas somente quando o povo de Deus estiver pronto. Babilônia terá permissão de chegar à sua expressão plena, mas será finalmente destruída quando o povo de Deus estiver pronto para governar.
15.     A profecia declara a vitória final de Cristo e sua igreja (19). Ao fazer isso, ela fortalece o fraco e reanima o que vacila para entrar em ação. Podemos ser fracos e pequenos agora. As forças do mal parecem imensas e sua influência prodigiosa. Mas Jesus voltará a reinar. E nós, da promessa, vamos deixar que a visão de vitória encha nossos corações. Vamos permitir que a realização da vitória seja demonstrada em nossas vidas. Por meio daquele que venceu, nós também seremos vitoriosos!
16.     A Palavra de Deus estabelece o governo de Cristo na terra (20-22). A terra se encherá da Sua glória. Debaixo do governo justo de Jesus, administrado pelos santos de Deus, realmente haverá justiça para todos. A preocupação constante de Deus para com os pobres e os oprimidos será evidenciada. A sociedade será reformada. Onde agora nos sentimos impotentes seremos capazes de agir. Aqueles que têm sido preparados assumirão áreas específicas de responsabilidade no governo justo de Deus.
17.     A inspiração e revelação da profecia vêm através dos profetas (22:6-9). João era um profeta. A revelação profética, a abertura e compreensão do propósito de Deus nas escrituras proféticas vêm pelos profetas (2 Pe.1:20-21). A Palavra de Deus deve ser recebida e declarada. Somente então pode ser ouvida e correspondida. Somente então os propósitos de Deus podem avançar.
18.     A profecia dá um senso de proximidade e intimidade (22:10). Leva seus ouvintes a sentir a realidade do que está sendo declarado. Capacita-os a experimentar o impacto do reino invisível. Eles provam os poderes da era vindoura e trazem progressivamente o reino de Deus para a terra através de sua correspondência. Suas vidas contagiantes comunicam o sabor divino deste reino. A palavra traz a possibilidade de consumação dentro do seu alcance. Eles sabem que podem ser a geração que trará de volta o Rei.
19.  Pela sua palavra, Deus comunica um anseio pela consumação (22:17-20). Isto é um compartilhar de seu desejo. É a comunhão mais íntima entre Deus e o homem. A profecia leva Deus e seu povo à unidade. O Espírito e a noiva unem seus anseios. Juntos eles clamam: “Vem”. Nós ouvimos a própria resposta de Jesus: “Sim, venho sem demora”. Em harmonia com o desejo e alvo de toda profecia nós dizemos: “Amém. Vem Senhor Jesus”!
John Maclaucchlan

O ARREIO DO SENHOR


 O Espírito de Deus está maravilhosamente operando hoje em dia para levar os Filhos de Deus a se aterem exclusivamente à vontade do Pai. Este é o Dia da Sua Preparação, o dia no qual Ele está preparando o canal através do qual Ele fará verter Sua Glória para todo o mundo ver. Este canal é o Seu Corpo na terra, um povo glorioso, composto de membros que estão sendo preparados através de muita tribulação e testes de fogo para expressarem a Imagem do Filho de Deus. Estes são “o seu machado de batalha e suas armas de guerra” com os quais Ele subjugará reinos e superará a todos os Seus inimigos. Este é o “forte e poderoso” a quem ele entregará o trabalho de julgar este mundo. Este é o Seu Vencedor, o seu grande exército “com o qual Ele porá as nações em submissão”. As suas armas da guerra não são armas carnais ou naturais, mas são armas poderosas, poderosas através de Deus para arrasar fortalezas. São estes que serão “fortes e farão proezas”.
           
Mas antes que Deus possa entregar este grande e poderoso ministério nas mãos desta companhia, seus componentes têm que se submeter à disciplina do Senhor e devem permitir verdadeiramente que o Senhor seja o Orientador das suas vidas em tudo. Durante muito tempo nós lidamos com a expressão visível do pecado aparente, mas agora Deus está tratando da rebelião íntima de nossos próprios desejos. Alguns bons cristãos não estão sentindo esta ação de Deus, porque eles ainda não se integraram  a esta Corporação das Primícias; não obstante, há um procedimento ativo de Deus operando naqueles que são chamados e ouvem o Chamado Superior de Deus. Esta é uma coisa real,  é a ação do Fogo Purificador. Para os que estão passando por isso, alguns de seus aspectos são horríveis, mas necessários, e o resultado final é glorioso, pois somos levados a uma submissão absoluta e completa à vontade do nosso Senhor.
           
Foi numa conferência convencional de ministros na cidade de Tulsa, em Oklahoma, EUA, que Deus me deu a visão que eu quero compartilhar com vocês,  concernente à necessidade de domar as nossas próprias vontades e instintos. Havia mais de 30 ministros presentes naquela manhã de quinta-feira, e Deus, o Pai dos espíritos, estava presente a cuidar dos seus filhos, para corrigi-los, instruí-los e discipliná-los e conduzi-los a uma obediência absoluta à Sua Vontade. Havia um proceder inflexível no Espírito, o qual impedia que alguém fosse até o púlpito para ministrar. Havia uma relutância entre os ministros em dizer qualquer coisa a não ser aquilo que fosse ordenado diretamente pelo Espírito. E enquanto aqueles homens de Deus ficavam ali assentados, na solene presença do Deus Todo-Poderoso — alguns com muitos anos de ministério, outros missionários, todos eles capazes de se levantarem e dizerem um sermão poderoso — eu fiquei impressionado com a forma como eles reagiam à disciplina do Espírito. E no meio deste mover maravilhoso de Deus em nossos espíritos, o Espírito Santo me deu uma visão…

Eu Vi a Carruagem do Rei
            Em uma estrada poeirenta que atravessava um campo largo, estava uma bela carruagem, algo parecido com uma diligência, mas toda guarnecida em ouro, e com belíssimos entalhes. Era puxada por seis grandes cavalos castanhos, dois na frente, dois no meio e dois na traseira. Mas eles não estavam se movendo, não estavam puxando a carruagem, e eu quis saber por que. Então eu vi o cocheiro debaixo da carruagem, deitado de costas no chão, logo atrás das patas dos dois últimos cavalos, trabalhando em algo entre as rodas dianteiras da carruagem. Eu pensei, “Meu Deus, ele está num um lugar perigoso; porque se um desses cavalos der um coice ou resolver andar para trás, eles podem matá-lo, também se eles decidirem ir adiante, ou forem assustados por alguma coisa, eles puxam a carruagem para cima dele”. Mas ele não parecia amedrontado, porque sabia que aqueles cavalos foram disciplinados, e não se moveriam até que ele lhes dissesse para se moverem. Os cavalos não estavam inquietos, e embora houvesse sininhos nas suas patas, os mesmos não estavam tilintando. Havia adereços na parte do arreio que ficava sobre suas cabeças, mas eles se moviam. Eles estavam totalmente imóveis, estáticos, esperando pela voz de comando do Mestre.

Havia Dois Potros Jovens no Campo
          Enquanto eu observava os cavalos arreados, eu notei dois jovens potros que vinham pelo campo aberto. Eles se aproximaram da carruagem e pareciam dizer aos cavalos: “Venham brincar conosco, nós temos muitas e ótimas brincadeiras, nós correremos com vocês, venham nos pegar…” E com isso os potros corcovearam, escoicearam, sacudiram suas caudas, e saíram a correr pelo campo aberto. Mas quando eles olharam para trás e viram que os cavalos não os estavam seguindo, eles ficaram confusos. Eles não sabiam nada a respeito de arreios, e não podiam entender por que aqueles cavalos não quiseram brincar com eles. Por isso, eles perguntaram aos cavalos: “Por que vocês não correm conosco? Vocês estão cansados? Vocês estão fracos demais? Vocês não têm força para correr? Vocês são sérios demais, vocês precisam de mais alegria em suas vidas”. Mas os cavalos não responderam uma palavra sequer, não deram patadas no chão nem moveram suas cabeças. Eles permaneceram quietos, imóveis, esperando pela voz do Mestre.

            Novamente os potros se dirigiram a eles: “Por que vocês estão assim parados sob este sol escaldante? Venham aqui para a sombra agradável desta árvore. Vejam como a grama é verde! Vocês devem estar com fome, venham pastar conosco, o capim está tão verde e tão bom. Vocês parecem sedentos, venham beber de um de nossos muitos riachos de água fresca e clara”. Porém, os cavalos não lhes responderam, nem mesmo volveram os olhos em sua direção, mas ficaram parados à espera do comando para seguir adiante com o Rei.

 

Potros no Curral do Mestre
E então a cena mudou, e eu vi laços serem lançados aos pescoços dos dois potros, e eles foram levados para o curral do seu Dono para serem treinados e disciplinados. Quão tristes eles ficaram ao ver seus verdes e adoráveis campos desaparecerem, e que eles agora estavam presos num Curral com sua sujeira característica e sua cerca alta. Os potros corriam de um lado para o outro do curral buscando a liberdade, mas acabaram por descobrir que estavam presos naquele lugar de treinamento. E então o Treinador começou a trabalhá-los, com seu Chicote e Rédea. Que experiência amarga para aqueles que, por toda a vida, tinham se acostumado a viver em liberdade! Eles não podiam entender a razão daquela tortura, daquela disciplina terrível. Que grande crime tinham eles cometido para merecerem aquilo? Eles nada sabiam acerca da responsabilidade que teriam que assumir quando chegassem ao final do treinamento, quando tivessem aprendido a obedecer plenamente o Mestre, e tivessem sido completamente disciplinados. Tudo que eles sabiam era que este processo era a coisa mais horrível que já lhes tinha acontecido.

Submissão e Rebeldia
            Um dos potros rebelou-se contra o treinamento, e disse: “Isto não é para mim. Prefiro a minha liberdade, minhas colinas verdes, meus riachos de água fresca. Eu não suporto mais esta prisão, nem este treinamento terrível”. Assim ele descobriu um modo de escapar, saltou a cerca, e correu alegremente de volta aos prados gramados. Eu fiquei surpreso que o Mestre o tivesse deixado ir, sem o perseguir. Em vez disso, Ele dedicou toda sua atenção ao potro que ficara. Este potro, embora tivesse tido a mesma oportunidade para escapar, decidira por se abster da sua própria vontade, e se submeter à disciplina do Mestre. E o treinamento tornou-se mais duro que nunca, mas ele estava aprendendo rapidamente e cada vez mais a obedecer ao mais simples desejo do Mestre, e a responder até mesmo ao silêncio da voz do Mestre. E eu vi que se não tivesse havido treinamento, nem prova, não teria havido nem submissão nem rebelião da parte dos potros. Porque, no campo, eles não tinham a escolha de se rebelar ou se submeter, eles eram puros  em sua inocência. Mas quando foram levados ao lugar de prova, treinamento e disciplina, então se manifestou a obediência de um e a rebeldia que estava escondida no coração do outro. E embora parecesse mais seguro não ir para o lugar de disciplina, por causa do risco de ser encontrado rebelde, não obstante eu vi que, sem treinamento e disciplina, o potro não compartilharia da Sua Glória nem da Filiação.

 

Debaixo do Arreio
            Finalmente aquele período de treinamento teve fim. E você acha que ele teve de volta a sua liberdade, e voltou aos campos? Oh não! Uma restrição de liberdade ainda maior se abateu sobre ele, agora na forma de um arreio que lhe caiu sobre os ombros. Agora, nem mesmo a liberdade de correr pelo curral ele tinha. Estando debaixo do arreio, ele só podia se mover na direção e pela extensão que o Mestre determinava. E se o Mestre nada falasse, ele ficava parado.

            A cena mudou, e eu vi o outro potro que, em pé ao lado de uma colina, mordiscava  um pouco de grama. Então, pela estrada que atravessava os campos, vinha a carruagem do Rei puxada por seis cavalos. Com assombro, ele viu que, na primeira parelha, à direita, estava o potro irmão dele, que agora se mostrava forte e amadurecido pelo bom milho do estábulo do Dono. Ele viu os lindos adereços tremulando ao vento, e notou o arreio reluzente com bordaduras de ouro sobre seu irmão, e ouviu o belo tilintar dos sininhos nos pés dele, e a inveja entrou no seu coração. Então ele reclamou lá com seus botões: “Por que meu irmão foi honrado assim, e eu fiquei esquecido? Não puseram sininhos em meus pés, nem enfeites bonitos em minha cabeça. O Mestre não me deu a responsabilidade maravilhosa de puxar a carruagem dele, nem pôs sobre mim o arreio dourado. Por que escolheram meu irmão em vez de mim?” E, pelo Espírito, a resposta me veio, como previa. “Porque um se submeteu à vontade e à disciplina do Mestre, e o outro se rebelou. Assim, um foi escolhido e o outro posto de lado”.

Escassez na Terra
            Então eu vi que uma grande seca se abatia sobre os campos, e a grama verde secou-se, tornou-se marrom quebradiça, morreu. Os pequenos riachos secaram, deixaram de fluir, e apenas uma ou outra poça barrenta apareciam aqui e acolá. Eu vi o pequeno potro (eu fiquei admirado porque ele parecia nunca crescer ou nem amadurecer, era sempre o mesmo) como ele corria prá lá e prá cá, através dos campos à procura de riachos de água fresca e pastos verdes, mas não achava nenhum. Mesmo assim ele ainda corria, aparentemente em círculos, sempre procurando algo com que alimentar seu espírito faminto. Mas havia escassez na terra, e os ricos e verdes pastos, e os regatos murmurantes de outrora pareciam nunca ter existido. Um dia, o potro parou na ladeira da colina sobre suas pernas fracas e coxas,  e ficou imaginando qual direção tomar em busca de comida, e onde arranjaria forças para ir. Parecia não haver saída, porque a comida boa e regatos de águas correntes eram coisas do passado, e todos os esforços que fizesse só fariam minguar cada vez mais suas forças. De repente, ele viu a carruagem do Rei que descia pela estrada, puxada por seis grandes cavalos. E ele viu seu irmão, gordo e forte, músculos salientes, pelo macio e lustroso e cheio de bonitos enfeites. O coração dele ficou pasmo e perplexo, e ele clamou: “Meu irmão, onde você acha comida para se manter forte e gordo nestes dias de escassez? Eu corri livremente por todos os lugares em busca de comida, e não achei nada. Onde, em seu terrível confinamento,  você acha comida? Diga-me por favor, eu tenho que saber!” E então a resposta veio através de uma voz cheia de vitória e entusiasmo: “Na Casa de meu Mestre, há um lugar secreto, nos limites do seu estábulo, onde Ele me alimenta pela sua própria mão, e os seus silos nunca ficam vazios, e a sua fonte nunca seca”. Com isto, o Senhor me fez saber que, no dia em que as pessoas estiverem espiritualmente fracas e famintas, em tempo de escassez espiritual, os que tiverem se abdicado das suas próprias vontades, e entrado no esconderijo do Altíssimo, em submissão absoluta à sua perfeita vontade, terão bastante alimento do Céu, e um fluxo infinito de rios de águas vivas de revelação pelo Seu Espírito. Assim a visão terminou.


Interpretação da Visão
            “Escreva a visão, e grave-a sobre tábuas, de forma que, mesmo quem passa correndo possa lê-la” - (Hab. 2:2). “Arreiem os cavalos: montem cavaleiros” - (Jeremias 46:4). Eu estou certo de que muitos de vocês que podem ouvir o que o Espírito diz para a Igreja, já perceberam o que Deus mostrou nesta visão. Mas permita-me torná-la mais clara. Nascer na Família de Deus, alimentar-se dos pastos verdes e beber do muitos riachos de revelação progressiva dos seus propósitos é bom e maravilhoso. Mas não é o bastante. Quando éramos crianças, jovens, indisciplinados, só limitados pela cerca exterior da Lei que corria ao redor dos limites dos pastos (isso nos impedia de entrar nos pastos escuros de ervas daninhas e venenosas), Ele se contentava em nos ver desenvolver, crescer em nossa irmandade juvenil, espiritualmente falando. Mas o tempo se cumpriu, e chegou a hora daqueles que se alimentaram nos seus pastos e beberam dos seus regatos, serem disciplinados ou “tutorados” com a finalidade de fazer deles Filhos aptos e maduros. Muitas das crianças de hoje não podem entender por que alguns dos que vestiram o arreio de Deus não se interessam pelos muitos jogos religiosos e nem pelas peripécias divertidas dos imaturos. Eles querem saber por que o disciplinado não corre atrás de toda nova revelação que aparece, nem se alimentam das oportunidades de se ocuparem com atividades religiosas, aparentemente “boas e úteis”. Eles querem saber por que alguns não correm com eles no seu esforço frenético de construir grandes obras e grandes e notáveis ministérios. Eles não podem entender o simples fato de que esta Companhia de Santos está esperando pela voz do Mestre. Com todas as suas atividades externas, eles não ouvem a Deus.

            Embora muitas tentações venham da parte dos potros brincalhões, os Santos só se moverão na hora que o Mestre ordenar, não antes. Os potros não podem entender por que aqueles que aparentemente têm grandes habilidades e força não estão fazendo uso dela. “Bota a carruagem na estrada!”,  eles dizem. Mas os disciplinados, os que estão sob o arreio de Deus, sabem que é melhor não se moverem antes de ouvirem a voz do Mestre Interior. Eles se moverão ao seu tempo, com grande propósito, e grande responsabilidade.

            E o Senhor me fez saber que, muitos a quem Ele tinha trazido para treinar, tinham se rebelado contra a disciplina e a correção do Pai, e a eles não pode ser confiada a grande responsabilidade de Filho Maduro. Dessa forma, ele lhes permitiu voltar para a sua liberdade, de volta às suas atividades religiosas, seus dons e suas revelações. Eles ainda são seu povo e ainda se alimentam nos campos do Pai, mas Ele os deixou fora dos grandes propósitos para o fim da era. Assim eles se divertem na sua liberdade e pensam que eles são os Escolhidos, com seus muitos fluxos de água vivente, não sabendo que eles foram postos de lado como inadequados para a sua grande obra no fim desta Era.

            E Ele me mostrou que, embora a correção pareça penosa por um determinado tempo, e a disciplina pareça difícil de se suportar, contudo, o resultado final com toda a glória da Filiação vale a pena, e a glória a seguir excede em prazer todo o sofrimento que suportamos. Embora alguns até percam suas vidas neste treinamento, mesmo assim eles compartilharão de semelhante glória nos seus propósitos eternos. Portanto, não desfaleçam, Santos de Deus, porque é o Senhor que lhes coloca em confinamento, e não seu inimigo. É para o seu bem, e para a glória dele. Portanto, suporte todas as coisas com louvores e ação de graças, porque Ele lhes achou dignos de compartilharem da Sua glória! Não tenham medo do chicote na mão do Mestre, porque ele não se destina a lhes castigar, mas a corrigir-lhes e treinar-lhes para que possam se submeter à vontade do Pai, e serem achados  à sua semelhança quando acordarem. Regozijem-se em diante das dificuldades e em todas as suas tribulações, e gloriem-se na Sua cruz, e nas limitações confinantes do Seu arreio, porque Ele lhe escolheu, e Ele tomou para si a responsabilidade de lhes  manter fortes e bem alimentados, apoiem--se nEle, e não confiem em sua própria débil habilidade nem na sua própria capacidade de compreensão. Assim você será alimentado, e a mão dele estará sobre você, e a Sua glória lhe cobrirá e fluirá através de você, bem como cobrirá toda a terra. Glória a Deus! Abençoado seja o Senhor. Ele é maravilhoso! Amigos, permita-lhe ser o Senhor da suas vidas, e não reclamem do que Ele faz acontecer em suas vidas.

Abundância no Tempo da Escassez
            Em tempos de escassez sobre a terra, aos que moram no esconderijo do Altíssimo e que se submeteram à sua vontade perfeita, Ele alimentará com sua própria mão. Quando o terror espalhar-se pela terra, os que estiverem debaixo do seu arreio não terão medo, porque sentirão o freio e a rédea do Espírito a guiá-los. Quando os outros estiverem fracos, debilitados e com medo, aqueles estarão fortes no Seu poder, e nada lhes faltará. Quando as tradições e os sistemas religiosos forem desmascarados e se mostrarem falsos, e seus riachos secarem, então os Escolhidos proclamarão a verdadeira Palavra do Senhor. Portanto, alegrem-se Filhos de Deus, porque, nesta última hora, vocês tiveram a honra de serem escolhidos pela Sua graça para tomarem parte nesta grande obra.

A cerca que mantém os potros presos nos seus prados e pastos não significa nada para os que estão sob o arreio, porque os portões se lhes abrem, e eles vão e puxam a carruagem do rei adiante através de lugares estranhos e maravilhosos. Eles não param para comer dos arbustos venenosos do pecado, porque eles só se alimentam no estábulo do Mestre. Eles não fazem caso destes campos, passam por eles e vão adiante a serviço do Rei. E assim, para os que se sujeitam totalmente à sua vontade, não há Lei. Porque eles se movem pela Graça de Deus e são guiados pelo Espírito, por caminhos onde todas as coisas são lícitas mas nem todas são convenientes. Esta é uma dimensão perigosa para o indisciplinado, e muitos têm perecido no pecado por terem saltado a cerca sem Seu arreio e a Sua rédea. Alguns têm se julgado completamente arreados e submissos a Ele, mas descobriram que, em algum lugar, no recôndito das suas vidas, habitava a rebeldia e o egoísmo. Esperemos diante dele até que ele nos ponha o cabresto e nos leve ao lugar de treinamento. E então, ali aprenderemos os procedimentos de Deus e as formas de agir do Seu Espírito, até que finalmente sintamos Seu arreio cair sobre nós, e ouçamos a Sua voz nos guiando. Só então haverá segurança de não cairmos nas ciladas e armadilhas do pecado, e na Sua casa para sempre!
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Solicite mais materiais: E-mail: www.minist.apostolico@ibest.com.br – Gutemberg L. Braga

 

RECEBA O REINO


RECEBA O REINO
“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade. Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando; antes, alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho, dizendo: Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas…” (Hebreus 2.1-8)
A profecia que o escritor de Hebreus menciona não está falando do homem não regenerado, mas do homem que retornou à graça de Deus. Ele fala acerca de levar muitos filhos à glória — os filhos de Deus em sua manifestação e o governo final sobre todas as obras de Suas mãos. Não haverá nada que não esteja sujeito a eles.
“Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas; vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.(Estamos esperando por Jesus, que tem glória e honra repousando sobre Ele, porque toda autoridade no céu e na terra reside Nele.) Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles”(Hebreus 2.8b-10).
Por Cristo estar nessa posição de exaltação, o domínio e a posição futura desses filhos que serão conduzidos à glória dependem da Sua exaltação. Nosso futuro e nosso destino, em Deus, dependem da exaltação de Jesus Cristo como Senhor absoluto e soberano sobre as nossas vidas, pois tudo está Nele — toda autoridade, todo poder, todo domínio, e o cumprimento de tudo. Somos completos Nele, que é a Cabeça do Corpo, e podemos estender a mão, em nome do Senhor, e receber graça para nos ajudar.
Nesta hora presente ainda não há indicação da grande glória que há de ser revelada em nós, das coisas que Deus literalmente derramará sobre o Seu povo. Deus está fazendo com que atravessemos muitas coisas, e precisamos ter fé que Ele está conduzindo muitos filhos à glória. Ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que seremos semelhantes a Ele, pois O veremos como Ele é (1 João 3.2).
Bem depressa estaremos nos vendo diante de inúmeras coisas no curso do programa divino. Estamos bem no começo da parousia, a época da presença do Senhor. Este é um período em que muitas coisas acontecerão, inclusive a grande revelação de nosso Senhor — a primeira ressurreição —, a prisão de Satanás, a destruição dos principados e potestades no fim da grande tribulação, e a manifestação e invasão do Reino em todos os campos e em todas as nações.
Nós estamos agora vivendo numa época de eras sobrepostas. Isto acarreta uma grande confusão para os cristãos que querem analisar os acontecimentos e arranjá-los ordenadamente em suas mentes, concluindo que, como foi nas eras passadas, assim é agora.
Quando Deus começa a operar, Ele pode fazê-lo de uma forma durante 100 anos, mas, no Novo Testamento, a operação durou cerca de uma geração. A queda de Jerusalém e a destruição do Templo foram sinais de Deus para todo o mundo. A carta aos Hebreus foi dirigida ao mundo cristão cerca de um ano antes de tudo aquilo acontecer, e recordava os crentes que eles tinham uma aliança melhor, um Templo melhor, um santuário melhor, promessas melhores e o sangue que fala de coisas superiores ao de Abel. Tudo indicava para isso: "Preparem-se, porque vocês não devem mais olhar para Jerusalém. Vocês não podem mais ser meio-desmamados, adorando em parte sob a Lei de Moisés e em parte sob a graça de Deus em Cristo Jesus. Deus dará um fim a tudo isso."
Por todo o império romano os apóstolos entravam nas sinagogas nos Sabbaths e falavam para pessoas que amavam a Deus, para pessoas que estavam avançando em Deus e sobre quem o Espírito de Deus repousava. Contudo, durante uma geração, Deus, em Sua misericórdia, prolongou a sobreposição — até que chegou um momento quando Ele lhes disse: "Saiam de Babilônia. Saiam do que é velho. A velha aliança está acabando. Recebam a coisa nova que está para surgir."
Nesta época de eras sobrepostas, bem-aventuradas são as pessoas que têm o Espírito Santo e a revelação dentro de si para perceber que o Reino de Deus está vindo, que nosso Senhor Jesus Cristo está voltando. Estes são como aqueles a quem Pedro clamou no dia de Pentecostes: "Salvem-se desta geração perversa. Saiam das muletas desta época."
Prepare-se para o Reino. Prepare-se para as coisas que Deus tem. Comece a sintonizar nelas. Você não é filho da noite para estar embriagado e adormecido. Você é um filho da luz, e deve despertar dentre os que dormem e se levantar dentre os mortos. Esteja cingido e pronto para a época que está adiante de você.
Esta era sobreposta requer que você não julgue nada segundo as aparências, pois o inimigo poderia fazer você crer que a situação é terrível. Ela só é terrível para os que vivem no tempo antigo, não para os que vivem no atual. Mas nós podemos escolher em que era queremos andar. Queremos ser partici­pantes dos poderes da era futura, ou queremos nos manter agarrados a uma época moribunda?
Precisamos encontrar no Senhor mais do que apenas graça suficiente para nos ajudar a agüentar até o fim. Ajude-nos, Senhor, a sermos projetados diretamente neste dia que se aproxima. A batalha é muito intensa para todos os que estão sintonizados nesta visão. O inimigo está retendo todo o controle que ele pode ter sobre o sistema econômico, etc., mas sabemos que o Senhor vai destruir tanto a Babilônia religiosa quanto a comercial. Vamos ser redimidos desta época presente e da sua influência sobre nós. Vamos nos livrar das mãos dos servos de Mamom [1]. O dinheiro e as finanças serão liberados para o trabalho missionário e para as coisas que sobrevirão. Nós não vamos viver numa nova era nos submetendo às opressões e restrições da antiga; nós cremos que Deus pode nos libertar. A Palavra de Deus fala de homens, no passado, que fizeram isto, e nós estaremos entre eles. Nós precisamos adentrar no Reino, não com obras mortas, mas com uma fé verdadeira.
Os livros de Gênesis, Hebreus e Judas nos falam que, pela fé, Enoque andou com Deus. Isto não aconteceu só com ele. Ele creu e andou com Deus. Pela fé ele foi trasladado para não ver a morte. Ele havia visto o Senhor vindo com miríades de Suas hostes, e ficou tão emocionado com aquilo, que pensou: "Seria bom ser tomado no Espírito e estar com o Senhor." Ele olhou para todas aquelas eras entre a sua e o cumprimento da profecia e disse: "Ah, não! Eu não nasci 6.000 anos adiantado. Pela fé eu vou crer." E, bem no início da História humana, ele creu em tudo o que Deus podia lhe dar.
Você não precisa estar sujeito à época em que vive. Você pode se levantar e participar de qualquer época que deseje. Jesus disse, a respeito de Abraão: "Ele se alegrou ao ver o Meu dia. Ele o viu e se regozijou." Ele não gostava da época em que estava vivendo. Ele queria viver na época em que Jesus estaria aqui na terra. O Senhor disse: "Antes que Abraão fosse, Eu sou. Ele Me conheceu e andou Comigo."
Eu quero viver agora mesmo, mas também quero participar de todos as coisas que estão por vir. Eu quero ouvir os guinchos e os lamentos dos demônios indo para o abismo; eu quero escutar o lamento e o suspiro de uma era que fenece — e as obras dos homens se desintegrarem e virem abaixo. Eu quero ver isto. Eu quero ouvir o som de trombetas resplandecentes num novo alvorecer, e ver o Filho de Deus Se levantando, como o sol ao nascer, quando vier para os Seus santos encontrar seus corações e plantar neles os princípios do Reino que está por vir — uma forma de viver em que Cristo é Senhor e Soberano absoluto — quando Ele começar a manifestar o Seu Santo Corpo, entretecido, moldado e ligado, compactado pelo amor de Deus.
Eu quero fazer parte desse exército cujas fileiras não se desfarão, e no qual ninguém empurrará ao outro. Eu quero estar alerta. Eu quero sintonizar meus ouvidos. Eu quero ouvir as coisas que Deus tem a dizer, pois Ele está falando na terra hoje como não falava há muitos séculos. Bendito seja o nome do Senhor!
O que faremos nesse ínterim? Abandone esta velha era e receba o Reino. Fale a Palavra do Senhor. Um anjo foi até os apóstolos, os tirou da prisão e lhes disse para irem ao Templo e falarem às pessoas todas as Palavras desta vida (Atos 5.19-20) — e eles falaram a Palavra de Deus ao povo. Por todo o livro de Atos, nós lemos: "Eles falaram a Palavra do Senhor…", "E a Palavra do Senhor crescia…" Nós podemos fazer isto também, pois isto é tão verdadeiro agora, como sempre o foi. Deus dá uma revelação e permite que os Seus servos se levantem e profetizem o que Ele lhes revelou, fazendo com que aquilo aconteça. É um privilégio glorioso para nós, que somos tão insignificantes, abalarmos o Universo. Nós simplesmente profetizamos uma Palavra que inicia uma vibração que abala todas as coisas. É maravilhoso que Deus Se agrade em anunciar a Sua Palavra através destes vasos de barro!
Fale a Palavra do Senhor. Entre na torrente de tudo o que Ele tem para você. Inúmeras coisas estão destinadas para esta época, e eu tenho uma opinião vigorosa a este respeito: faça-as acontecer! Satanás não está querendo um encontro prematuro com Aquele que o matará com o resplendor da Sua vinda. Nós ainda não imaginamos como Satanás é fanfarrão, nem quanta autoridade existe no nome de Jesus. Fale a Palavra do Senhor! Profetize-a! — pois estas coisas já estão para acontecer!
As nossas forças são tão pequenas! O único conhecimento que tem valor é que tudo já está na obra consumada de Cristo, no precioso sangue de Jesus e na autoridade do Seu nome — e nós O exaltamos. Nós profetizamos e oramos e cremos, e não porque estejamos lutando por uma posição de vitória. Nós não estamos nos elevando do lodo e do esterco para nos tornarmos mais que vencedores — nós já somos mais que vencedores! Em Cristo nós nascemos livres, vitoriosos, vencedores; e tomamos posse de todas essas coisas. Nós não contendemos, exceto para ver a manifestação dessas coisas, pois estamos partindo de uma posição de vitória, assentados com Cristo em lugares celestiais.
Ó, Mestre, opere em nós. Salve-nos desta geração corrompida e perversa. Salve-nos da sua maneira de pensar. Salve-nos também dos seus crentes indiferentes, mornos, pois Deus os detesta. E tampouco há razão porque devamos ter muita compaixão deles; Ele está para vomitá-los de Sua boca. Deus não permita que Ele deteste as nossas almas por não sermos nem frios nem quentes. Nós não vamos andar dessa forma diante do Senhor. Há algo de distorcido na mente das pessoas que as leva a se apegar à observâncias religiosas apenas o suficiente para manterem sua consciência leve e salvarem as aparências diante de Deus. Eles bem que poderiam se esquecer desta maneira de agir, pois o que lhes espera nada mais é do que tribulação e juízo.
Faz-se violência ao Reino dos céus. Vamos ser violentos para com nossos próprios corações e destruir a indiferença e a passividade como nunca fizemos antes. Vamos recusar, de todas as formas, ser nada menos que ferro em brasa, cristãos abrasados, amando uns aos outros com um coração puro, e fervorosamente permanecendo unidos. Não tenha medo de dar sua própria vida para conseguir isto.
Nós não podemos nos tornar cautelosos de uma hora para outra. Precisamos viver tementes diante do Senhor, e não impedidos pelo medo de perseguição ou mesmo de martírio. Se você for martirizado, as perspectivas serão as de que você logo será ressuscitado. Com o que você está preocupado? Dificilmente você descansará antes de se encontrar bem no foco do campo visual do Reino! Portanto, viva assim: busque o Reino com tudo o que há em você. Este é o dia que o Senhor fez. Regozije-se nele! Alegre-se!
Em sua mente, não jogue tudo para o futuro. Cada dia nos dá a sensação renovada de que somos filhos eleitos de Deus, mais do que em qualquer outra geração que já existiu. Você pode fazer a vontade de Deus nesta hora. Você pode declarar a Palavra do Senhor. Filhos e filhas, profetizem! Velhos, tenham sonhos! Jovens, tenham visões! Preparem-se: vai chover!
Derrame o Seu Espírito, Senhor, sobre toda a carne. Nós estamos preparados, em nossos espíritos, para as coisas que estão diante de nós.

John Robert Stevens